A Análise de Sistemas

De acordo com Bertalanffy (1975, p.17), “apareceram nos últimos anos profissões e empregos desconhecidos até pouco tempo atrás, com os nomes de projeto de sistemas, análise de sistemas, engenharia de sistemas e outros”. A descoberta dos meios e modos que levem a realização de um dado objetivo requer um especialista em sistemas (ou uma equipe), para pensar sobre as possíveis soluções e escolher a mais eficiente e com o menor custo (BERTALANFFY, 1975, p. 18). O termo “análise” significa que algo será isolado para ser compreendido. (CAPRA, 1996, p.41).

O próprio dicionário da língua portuguesa define análise como “separação de um todo em seus elementos constitutivos” (SACCONI, 1996, p. 42). Porém, quando o termo “análise” é unido com “sistemas”, torna-se mais amplo. De acordo com Bertalanffy (1975, p. 261) “a análise de sistemas, por exemplo, de uma empresa industrial abrange homens, máquinas, edifícios, entrada de matérias-primas, saídas de produtos, valores monetários, boa vontade e outros imponderáveis”.

A forma de “análise de sistemas” como pensamento estratégico foi desenvolvido pioneiramente pela RAND Corporation, uma instituição militar de pesquisa e desenvolvimento fundada na década de 40. Desenvolveu-se com base em operações militares durante a segunda guerra mundial, incluindo a coordenação do uso de radares com operações antiaéreas. Em seguida, na década de 50, a análise de sistemas foi além do uso militar e se converteu em uma ampla abordagem sistêmica de análise de custo/benefício, envolvendo modelos matemáticos que poderia fornecer várias formas de satisfazer um objetivo definido (CAPRA, 1996, p. 73). Nas décadas de 60 e 70 a análise de sistemas começou a ser utilizada na administração com o objetivo de olhar para o problema como um todo e comparar as possíveis escolhas para resolvê-lo (CAPRA, 1996, p. 74).

Atualmente as empresas confundem o cargo de analistas de sistemas, entendem que está relacionado somente com software[1]. Isto não é verdade – conforme já discutido anteriormente, o sentido da palavra “sistema” é muito mais amplo do que apenas sistemas computacionais. A palavra engloba as operações e iterações de todos os setores da empresa, com ou sem o uso de software. Evidentemente, muitos processos são facilitados ou automatizados com o uso do software, mas isto não significa necessariamente que o analista de sistema deva trabalhar somente quando alguém quiser alguma alteração em um programa de computador (ROSINI, 2006, p. 3).

[1] Programa de computador

BERTALANFFY, Ludwig V. Teoria Geral dos Sistemas. Petrópolis: Vozes, 1975. 351p.

CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida. São Paulo: Cultrix, 1996. 255p.

ROSINI, Marco A.; PALMISANO, Angelo. Administração de Sistemas de Informação e a Gestão do Conhecimento. São Paulo: Thomson, 2006. 219p.

SACCONI, Luiz A. Minidicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Atual, 1996. 686p.

O Pensamento Sistêmico na Administração de Organizações

O crescimento do modelo sistêmico nas teorias organizacionais ocorre devido ao fato do crescimento da complexidade das organizações humanas e da necessidade de melhorar a capacidade de administrar estas organizações que possuem os mais diversos problemas, cada vez mais complexos. Os administradores são confrontados com situações complexas, não apenas das interações dos elementos físicos, mas principalmente por fatores sociais, que inter-relaciona o indivíduo com fatores internos e externos à organização. Desta maneira, torna-se necessário que o administrador saiba identificar e lidar com estes fatores, constituindo então o ambiente favorável para adoção das idéias sistêmicas nas organizações (ANDRADE et. al, 2006, p. 53).

Estas idéias vão de encontro com o estudo de Katz e Kahn que fazem analogias dos organismos vivos com as organizações, considerando-as como sistemas abertos, onde há relações com o ambiente. A principal visão das organizações como sistemas abertos é que há importação, transformação e exportação de energia (produtos e serviços) como forma de continuidade. Ou seja, o ciclo de realimentação da organização resultante de seus processos internos (importação, transformação e exportação de energia) faz com que haja uma cadeia de causa e efeito contínua, em que o processo de exportação de energia desencadeia o processo de importação de energia, e assim sucessivamente[1] (ANDRADE et. al, 2006, p. 53).

Para auxiliar a compreensão de todo o conjunto de variáveis e toda a complexidade de uma organização, foram criadas algumas abordagens que adotam os conceitos sistêmicos, entre elas (ANDRADE et. al, 2006, p. 54):

  • Administração Cibernética / Modelo do Sistema Viável;
  • Abordagem Sistêmica para Planejamento Organizacional;
  • Abordagens Sistêmicas Críticas
  • Dinâmica de Sistemas
  • Metodologia Soft Systems

Na Administração Cibernética e no Modelo do Sistema Viável, tem-se como premissa básica, assim como na administração de um modo geral, planejar, organizar, comandar e controlar. Neste modelo, o feedback de informação é comum entre as teorias da cibernética e da administração. Na maioria das organizações, enlaces de realimentação de informação adequados são raros, devido a vários fatores que acontecem simultaneamente. Portanto, quando há mudanças de grande impacto, a ação adequada pode não ocorrer em tempo adequado para deter o processo entrópico, devido à falta de capacidade estratégica ou ações suficientemente robustas para ajustar a conduta da organização (ANDRADE et. al, 2006, p. 54). Para Andrade et. al (2006, p. 55) “a administração cibernética visa dar conta deste desafio, e na sua evolução foi consolidado um modelo organizacional denominado Modelo do Sistema Viável (Viable System Model), desenvolvido por Stanford Beer”. Este modelo toma como modelo o organismo vivo e o cérebro (controlador), inspirado nas idéias de Ashby. No modelo, um sistema é viável somente se for capaz de responder às mudanças ambientais, mesmo que não tenham sido previstas. Os sistemas devem ser capazes de incorporar as mudanças e garantir sua sobrevivência. Portanto, as organizações devem ser projetadas de forma a garantir que as mudanças do meio não afetem seus sistemas sociais (ANDRADE et. al, 2006, p. 55).

Russel Ackoff, conhecido pensador sistêmico propõe uma Abordagem Sistêmica para Planejamento Organizacional a partir da constatação que uma grande mudança ocorreu na sociedade industrial, a partir da Segunda Guerra. Esta mudança é caracterizada pelo perceptivo aumento da velocidade das mudanças, pela interdependência e pelo predomínio dos sistemas complexos construídos pelo homem. Nestas novas condições, a forma tradicional de resolução de problemas não é considerada adequada, pois trata os problemas de forma isolada. Passam a existir os “sistemas de problemas”, onde os problemas organizacionais fazem parte de um “todo problemático” e não podem ser tratados isoladamente. A premissa da abordagem é que os administradores tenham esta visão de mudança da realidade e a tenham como essencial para a estabilidade e sobrevivência da organização (ANDRADE et. al, 2006, p. 55).

A Abordagem Sistêmicas Críticas incorpora conceitos e idéias críticas como “conflitos estruturais”, “relações de poder coercitivas”, “informação distorcida” e “emancipação”, como modo de ampliar as aplicações do pensamento sistêmico. Esta abordagem deve sua introdução nas ciências administrativas a vários autores, principalmente de aplicações do pensamento sistêmico. De acordo com Andrade et. al. (2006, p. 56) “o objetivo é constituir uma fundamentação sociológica às abordagens aplicadas à administração que adotam o Pensamento Sistêmico”. Destaca-se o trabalho de Jackson e Keys, que propôs que as várias metodologias não possuem os mesmos contextos problemáticos, por este motivo, apenas uma metodologia não é capaz de fazer o observador enxergar o todo. Sendo assim, para resolução de um problema é recomendado utilizar várias metodologias de forma complementar. Esta abordagem é chamada de Intervenção Sistêmica Total (Total Systems Intervention – TSI) (ANDRADE et. al, 2006, p. 56).

Foi desenvolvida, durante os anos 50 a Dinâmica de Sistemas por Jay W. Forrester, com o objetivo inicial de auxiliar os processos industriais complexos. Este modelo passou a ser aplicado também em outros campos, como por exemplo, sistemas urbanos, econômicos e ecológicos. O modelo integra três campos do conhecimento: engenharia de controle e os conceitos de realimentação; a cibernética e o papel da informação em sistemas de controle; e a teoria da decisão em organizações humanas. O avanço da tecnologia é fundamental para a metodologia, pois viabiliza as análises complexas e simulações com o auxílio da computação. O objetivo é auxiliar o processo mental de tomada de decisão dos administradores de forma a lidar com os complexos sistemas de uma organização, ao longo do tempo (ANDRADE et. al, 2006, p. 56).

O Pensamento Sistêmico e Aprendizagem Organizacional enfatiza o processo de modelagem como forma de estruturar conhecimentos e apoiar a aprendizagem.  Modelos são utilizados como apoio à decisão, como forma de enxergar a realidade, ao invés de serem utilizados para fazer previsões sobre o futuro. É o enfoque da abordagem sistêmica para aprendizagem organizacional, de Peter Senge. A premissa do modelo é que a melhoria dos processos de uma organização envolve a criação de ambientes para que as pessoas aprendam continuamente a partir do que fazem e pensam. É central da abordagem que seja utilizado o Pensamento Sistêmico para examinar e testar os “modelos mentais” das pessoas, principalmente dos grupos com poder de decisão estratégica. Desta forma, é possível compreender, até certo ponto, as estruturas mais profundas da realidade, desencadeando mudanças na forma como os indivíduos e grupos pensam e interagem nas organizações, alavancando a aprendizagem e as mudanças. Como ferramenta do modelo, são utilizados diagramas, principalmente diagramas de influência causal, diagramas de estoque e fluxo e simulações computacionais (da mesma forma que na dinâmica de sistemas) (ANDRADE et. al, 2006, p. 57).

[1] Ver o conceito de cibernética.

ANDRADE et. al. Pesamento Sistêmico – Caderno de Campo. Porto Alegre, Bookman, 2006. 486p.

A Linguagem Sistêmica

De acordo com Andrade et. al (2006, p. 57) “os estudos de Vygotsky[1] demonstraram que o pensamento e a linguagem não são processos separados”. Vygotsky concluiu que a linguagem afeta o processo e o conteúdo do pensamento, logo, diferentes linguagens produzem maneiras diferentes de pensar. De uma forma geral, as linguagens humanas possuem o formato sujeito-verbo-objeto, de maneira que na maioria das línguas derivadas das européias há ênfase maior sobre o sujeito e o objeto. Desta maneira, os ocidentais compreendem as coisas através de sujeitos e objetos, ao contrário dos orientais, onde a ênfase é nos verbos (ANDRADE et. al, 2006, p. 57).

No mundo profissional ocorre o mesmo, a linguagem técnica influencia a forma de pensar. Os engenheiros pensam conforme a lógica matemática, os projetistas pensam em partes, os economistas em valores, os psicólogos de maneira subjetiva e os analistas de sistemas por meio de entidades e relacionamentos. Desta forma, para pensar de maneira sistêmica, é necessário procurar uma linguagem que satisfaça a necessidade de pensar sistematicamente. Esta linguagem deve possuir as seguintes características (ANDRADE et. al, 2006, p. 57):

  • Que faça pensar mais no todo do que nas partes;
  • Que enfatize mais o relacionamento dos objetos;
  • De forma a entender a realidade como rede e não como hierarquias;
  • Que permita enxergar os círculos de causalidade ao invés de cadeias lineares de causa e efeito;
  • Que focalize na dinâmica ao invés de estruturas estáticas;
  • Que permita ver o mundo como um organismo vivo.

A linguagem sistêmica utiliza símbolos suficientes para representar as partes de um sistema e o relacionamento entre elas. Possui similaridades com outras técnicas, como o diagrama de Ishikawa, representações de causa e efeito e mapas cognitivos (ANDRADE et. al, 2006, p. 59).

 

Figura 1 – Diagrama de Ishikawa para um problema de inadimplência

 

Os principais elementos da linguagem sistêmica são as variáveis, que são partes ou componentes de um sistema. É lógico que além das variáveis é necessário mostrar o relacionamento entre elas, evidenciando as relações de causa e efeito (ANDRADE et. al, 2006, p.59).

Figura 2 – Influência entre variáveis

 

Pode-se visualizar na Figura 2 as relações de causa e efeito, em que uma variável influencia outra. Por exemplo, quanto maior o esforço físico, maior será o cansaço. Este é um exemplo de proporcionalidade direta, ainda há os tipos de proporcionalidade inversa conforme Figura 3 (ANDRADE et. al 2006, p. 59).

 

Figura 3 – Proporcionalidade do relacionamento das variáveis

 

No exemplo acima pode ser observado que existem relacionamentos proporcionais, de maneira que o aumento de uma variável causa o aumento de outra ou a diminuição de uma variável causa a diminuição de outra (indicado pelo símbolo “+”) e os relacionamentos inversamente proporcionais em que o aumento de uma variável causa a diminuição de outra, ou a diminuição de uma variável o aumento de outra (indicado pelo símbolo “-“). Existe ainda outro tipo de classificação, que é a instantaneidade do relacionamento, em que as relações de causa e efeito podem gerar variações instantâneas ou com atraso, conforme Figura 10 (ANDRADE et. al, 2006, p. 59).

Figura 4 – Instantaneidade dos relacionamentos das variáveis

 

No exemplo acima, as setas contínuas representam relações instantâneas, enquanto as setas com dois traços perpendiculares representam relações com atraso de tempo, isto é, onde as causas das ações não ocorrem imediatamente. Não existe um padrão para definir a partir de quanto tempo a relação pode ser considerada com atraso. Se a quantidade de tempo for significativa para o processo, ou seja, fizer diferença, pode ser considerada com atraso, caso contrário, pode ser considerada instantânea (ANDRADE et. al, 2006, p. 60).

Todos estes exemplos exibem uma forma de expressar os relacionamentos entre as variáveis, porém, todos estes relacionamentos são lineares, sem o uso de cadeias circulares de causa e efeito. A partir deste ponto, faz-se o uso das idéias da cibernética, em que os sistemas sustentam sua existência e seu comportamento através das relações circulares de causa e efeito. Existem dois tipos básicos: de relações circulares de reforço e relações circulares de balanceamento. As relações de reforço são responsáveis por processos de crescimento, em que o comportamento é tipicamente exponencial. As relações de balanceamento são responsáveis pelo equilíbrio ou por limitar o crescimento do sistema. Na cibernética são as relações de feedback positivo e feedback negativo. Na linguagem sistêmica são representados respectivamente pelos enlaces reforçadores e os enlaces balanceadores (ANDRADE et. al, 2006, p. 60).

No caso do enlace reforçador, uma variável importante cresce exponencialmente, onde as mudanças apóiam-se em si mesmas, gerando o efeito “bola de neve”, ou seja, os círculos viciosos, onde pequenas mudanças transformam-se em grandes mudanças. A Figura 12 mostra um enlace reforçador do crescimento de casos de AIDS no mundo. A transmissão do HIV gera o contágio, que gera mais casos de AIDS, que gera mais risco, que gera mais transmissão do HIV e assim sucessivamente (ANDRADE et. al, 2006, p. 60).

Figura 5 – Sistema do crescimento mundial de casos de AIDS

Por outro lado, quando o movimento é em direção a um alvo ocorre o equilíbrio balanceador, promovendo a estabilidade e continuidade do sistema de forma a evitar que o sistema perca seu equilíbrio natural, ou seja, sua homeostase. Em geral, estes tipos de sistemas possuem um estado desejado que ao comparados com o estado atual geram uma diferença, que dispara uma ação de auto-correção de forma com que este volte ao estado desejado. Um exemplo deste tipo de sistema é o estoque de uma empresa, que possui um nível desejado que diminui conforme as vendas e deve ser reposto ao nível desejado para manter o equilíbrio e possibilitar novas vendas (ANDRADE et. al, 2006, p. 61).

Figura 6 – Sistema de controle de estoque de uma empresa

 

Como regra geral, se o número de sinais negativos do enlace for par ou zero, tem-se um enlace reforçador. Se for par, tem-se um enlace equilibrador (ANDRADE et. al, 2006, p. 63). Em resumo, as notações sistêmicas podem ser identificadas da seguinte maneira:

Figura 7 – Notação da linguagem sistêmica

 

[1] Lev Vygotsky – Psicólogo bielo-russo que realizou estudos sobre o pensamento e a linguagem.

ANDRADE et. al. Pesamento Sistêmico – Caderno de Campo. Porto Alegre, Bookman, 2006. 486p.

Os Círculos de Causalidade

A tendência humana a respeito da realidade é enxergar as coisas com visão linear e não como estruturas de realimentação circular como acontecem em grande parte dos sistemas. Isto acontece, pois a percepção deriva da linguagem, que com sua estrutura sujeito-verbo-objeto favorece a visão linear[1]. Para que os inter-relacionamentos dos sistemas como um todo sejam visíveis é necessário que se faça uso de uma linguagem compatível, feita de círculos. Sem esta linguagem há apenas visões fragmentadas e ações contraproducentes.

No pensamento linear, dizemos: “Estou enchendo um copo de água”. Isto parece muito simples para ser um sistema, mas há como pensar além do usual. A Figura 1 – Causalidade – Ponto de vista linear ilustra como a maioria das pessoas pensa (SENGE, 2002, p. 104).

Figura 1 – Causalidade – Ponto de vista linear

 

Na realidade observar um copo de água encher constitui um sistema circular, pois monitora-se o nível da água subir. Conforme o nível de água aumenta, percebe-se a diferença entre o estado anterior e o estado atual e regula-se a posição da torneira para o fluxo de água correto. As variáveis estão organizadas em círculo (ou loop) de relacionamentos de causa e feito, chamado de feedback. Este processo ocorre continuamente até que o copo atinja o nível de água desejado. O processo é ilustrado na Figura 2 – Causalidade – Visão sistêmica (SENGE, 2002, p. 105).

Figura 2 – Causalidade – Visão sistêmica

 

A diferença entre as situações ilustradas nas figuras “Figura 1” e “Figura 2” é que a primeira proporciona uma visão linear, onde seria dito: “Estou enchendo o copo de água” e a segunda proporciona um processo com relações de feedback onde há ligações entre as variáveis “posição da torneira”, “fluxo de água” e “nível da água” (SENGE, 2002, p. 107). De acordo com Andrade et. al (2006) sem o entendimento das relações circulares, a compreensão do todo fica limitada. Assim, o pensamento sistêmico tende a buscar o entendimento da realidade por meio dos fluxos circulares, ao invés das relações lineares de causa e efeito (ANDRADE et. AL, 2006, p. 45).

No contexto do pensamento sistêmico, feedback nada tem a ver com retorno ou posição sobre uma situação. Está em um contexto mais amplo, em que nada é influenciado em apenas uma direção, pois tudo é passível de ser causa e gerar um efeito (SENGE, 2002, p. 106). Na perspectiva sistêmica, o ser humano é parte do processo de feedback, pois atua  junto com as outras variáveis. Ao ver as coisas com visão sistêmica, abandonamos a premissa de que para tudo existe um indivíduo responsável, pois todos compartilham a responsabilidade de um problema gerado no sistema.

Conforme analisado, pode-se chegar a complexas conclusões sobre o processo de encher um copo com água, que é muito menos complexo do que os processos de uma organização formal. É exatamente por estes motivos que se faz necessária uma nova linguagem, de forma a descrever as coisas de forma sistêmica e não linear (SENGE, 2002, p. 109).

[1] Esta afirmação não é válida para linguagens orientais, como o Mandarim (China).

ANDRADE et. al. Pesamento Sistêmico – Caderno de Campo. Porto Alegre, Bookman, 2006. 486p.

SENGE, Peter. A Quinta Disciplina. São Paulo: Best Seller, 2002. 441p.

A Complexidade não Precisa ser Complexa

Na visão de Peter Senge (2002), existem dois tipos de complexidade. A complexidade de detalhes, que lida com muitas variáveis e a complexidade dinâmica, em que as situações de causa e efeito são sutis e os efeitos não aparecem logo após as intervenções. Este tipo de complexidade não é administrável com as ferramentas tradicionais de projeção, planejamento e análise. É o caso dos processos de melhoria da qualidade, redução de custos, satisfação do cliente, entre outros (SENGE, 2002, p. 102). A análise dos sistemas quando utiliza simulações com milhares de variáveis e complexos conjuntos de detalhes podem causar distração, de forma a impedir que o analista identifique os padrões e os inter-relacionamentos principais. De fato, combater a complexidade com complexidade é a solução encontrada por muitas pessoas, com soluções cada vez mais complexas (ou detalhadas) e ineficientes. (SENGE, 2002, p. 103).

Para melhor administrar os efeitos sistêmicos da complexidade dinâmica, é necessário que o analista identifique os inter-relacionamentos a fim de descobrir as causas e as possíveis soluções para o problema. Ao enxergar estes relacionamentos, é possível que o analista tenha novas descobertas sobre o que pode ser feito. Por exemplo, no caso da corrida armamentista a iniciativa do primeiro ministro da época, Mikhail Gorbachev, para redução de armas iniciou uma nova corrida para a paz com ambos os lados (estados unidos e união soviética) com o esforço para redução dos arsenais nucleares, um ao passo do outro (SENGE, 2002, p. 103).

Pode-se perceber que o pensamento sistêmico começa com o entendimento do conceito de feedback[1], onde as ações podem se reforçar ou neutralizarem umas às outras. O bom entendimento deste conceito ajuda o analista a identificar os tipos de estruturas que se realimentam, de maneira a tornar possível a intervenção e a correção do problema (SENGE, 2002, p. 104).

[1] É importante lembrar que o conceito de feedback neste contexto surgiu originalmente na Cibernética.

SENGE, Peter. A Quinta Disciplina. São Paulo: Best Seller, 2002. 441p.